62º CBGO: O cuidado integral das mulheres no climatério – Parte 1

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62º CBGO:  O cuidado integral das mulheres no climatério – Parte 1

16 maio. de 2025

A mesa moderada pela Dra. Maria Celeste Osorio Wender, presidente da FEBRASGO e da Comissão Nacional Especializada (CNE) de Núcleo Feminino, e pela Dra. Lucia Helena Simões da Costa Paiva, presidente da CNE de Climatério, contou com a participação de mulheres representantes do governo. Uma delas foi a Dra. Renata de Souza Reis, Coordenadora Geral de Atenção à Saúde das Mulheres do Ministério da Saúde.

Dra. Renata trouxe um panorama importante sobre a evolução das políticas públicas para as mulheres no climatério. Desde a publicação da Alma Ata (1978), passando pelo Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher: Bases da Ação Programática (1984), que, segundo a Coordenadora Geral de Atenção à Saúde das Mulheres do Ministério da Saúde, “foi forjado pela luta de muitas mulheres”.

Nesta evolução, foi citada a Norma de Assistência ao Climatério (1994) e a 1ª Conferência Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres, que versa sobre a garantia de universalidade e integralidade no cuidado à saúde e na promoção de políticas específicas para os diferentes perfis de mulher: a do campo, das comunidades ribeirinhas e indígenas, por exemplo.

O documento sobre a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres – PNAISM (2004) dedica sessão específica ao climatério. Um dos objetivos deste documento é ampliar o acesso e qualificar a atenção às mulheres no climatério na rede SUS. O Manual de Atenção à Mulher no Climatério e Menopausa, que atualmente está em atualização, discorre sobre acolhimento, aspectos psicológicos, hábitos de vida, terapêutica e medidas de prevenção de agravos.

Além de outros direitos civis e políticos, muitas obviedades que existem hoje não eram realidade até pouco tempo atrás: o direito ao voto, a escolher se eu, mulher, quero estudar (ou não), a não precisar de permissão do marido para trabalhar. São liberdades que construímos e não foram fáceis. Por isso, faço questão de honrar e agradecer a todas as ancestrais que me antecederam e abriram os caminhos para que hoje eu estivesse aqui falando com vocês”, declarou a Coordenadora Geral de Atenção à Saúde das Mulheres do Ministério da Saúde.

Ainda de acordo com a coordenadora, há trabalhos em andamento: (1) está sendo elaborado um curso autoinstrucional (EaD) para profissionais de atenção primária em saúde e (2) está em tramitação a incorporação de novos medicamentos para tratamento de sintomas da menopausa. “E um spoiler: em outubro de 2025, haverá a 1ª Mostra Nacional de Experiências no SUS de Promoção de Saúde de Mulheres na Transição para Menopausa e Pós-menopausa”, comentou a médica.

A mesa ainda contou com as seguintes apresentações:

  • Dr. Luiz Francisco Cintra Baccaro, membro da CNE de Climatério, sobre doenças prevalentes na pós-menopausa – com foco nas doenças cardiovasculares, que representam 30% dos óbitos em mulheres a partir dos 55 anos.

  • Dra. Maria Célia Mendes, membro da CNE de Climatério, fez uma apresentação sobre alimentação saudável e atividade física na prevenção de doenças.

  • Aline Lima Xavier, enfermeira da Coordenação Geral de Prevenção às Condições Crônicas na Atenção Primária de Saúde, destacou a importância de cuidar da mulher integralmente, já que 85% da carga de doenças no Brasil é de condições crônicas, dentre elas, as DCNT – doenças crônicas não transmissíveis.

Ao final desta 1ª parte do Fórum – Saúde da Mulher no Climatério, a Dra. Maria Celeste comentou: “Tenho certeza de que essa integração é para gerar frutos”.

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