Contracepção ainda é desafio no Brasil: até 80% das gestações em adolescentes não são planejadas

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Contracepção ainda é desafio no Brasil: até 80% das gestações em adolescentes não são planejadas

25 set. de 2025

26 de setembro – Dia Mundial da Contracepção

 

Garantir que mulheres tenham autonomia sobre sua vida sexual e reprodutiva continua sendo um grande desafio no Brasil. Apesar dos avanços, os números mostram que o acesso à informação e aos métodos contraceptivos ainda precisa melhorar.

“Para que as mulheres tenham controle sobre sua vida sexual e reprodutiva é fundamental falar sobre contracepção. A sociedade deve se conscientizar sobre os impactos da maternidade na vida pessoal, financeira e profissional de uma mulher. Divulgar os diferentes métodos contraceptivos e o uso adequado deles é essencial para reduzir as gestações não planejadas”, afirma a Dra. Ilza Maria Urbano Monteiro, presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Números que preocupam:

  • Antes da pandemia, 55% das gestações no Brasil não eram planejadas.
  • Durante a pandemia, pesquisa da FEBRASGO com 1.000 gestantes encontrou 62% de gestações não planejadas.
  • Entre adolescentes, esse índice pode chegar a 80%.
  • Estudo da Unicamp identificou 65,7% de gestações não planejadas.

Embora a cobertura contraceptiva no país varie entre 70% e 80%, esse dado esconde desigualdades regionais. Sul e Sudeste apresentam índices melhores, mas ainda distantes do ideal para um país de dimensões continentais.

Segundo a Dra. Ilza, os LARCs (Métodos Contraceptivos Reversíveis de Longa Ação), como o DIU e o implante transdérmico, são os mais efetivos, já que não dependem da lembrança diária da paciente. No entanto, a adesão no Brasil ainda é baixa: apenas 3% a 4% das mulheres usam DIU.

“Os DIUs podem ser usados pela maioria das mulheres, enquanto pílulas combinadas, por exemplo, são contraindicadas em condições comuns como hipertensão arterial e enxaqueca com aura. Mesmo assim, estudo nacional de 2016 mostrou uso de pílulas em 28,2% e injetáveis em 4,5%”, destaca.

A especialista reforça que a expansão do acesso a diferentes métodos depende de políticas públicas. “É preciso que gestores locais invistam em Planejamento Familiar que ofereça todas as opções. Já está comprovado que há uma boa relação custo-benefício: quanto mais acesso a métodos eficazes como os LARCs, menor será o número de gestações não planejadas, que em geral têm um custo muito maior para as famílias e para o sistema de saúde”, finaliza.

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