Dia da Segurança do Paciente: Conheça os principais cuidados éticos do ginecologista

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Dia da Segurança do Paciente: Conheça os principais cuidados éticos do ginecologista

18 set. de 2023

Dia da Segurança do Paciente: Conheça os principais cuidados éticos do ginecologista

 

Neste ano, a Organização Mundial da Saúde estabeleceu o tema “Promovendo a Participação dos Pacientes na Segurança dos Cuidados de Saúde” para o Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado em 17 de setembro. Este tema visa destacar a importância vital dos pacientes, seus familiares e cuidadores na garantia da segurança dos cuidados de saúde. A FEBRASGO, como associação, concentra seus esforços em reconhecer a relevância dos princípios éticos essenciais que um médico ginecologista deve seguir ao atender suas pacientes.

 

A Dra. Maria Auxiliadora, membro da Comissão de Ética da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, esclarece que os ginecologistas devem aderir aos princípios essenciais preconizados pelo Código de Ética Médica. Entre esses princípios, destacam-se a beneficência, a não maleficência, a autonomia e a justiça. Quando aplicados à especialidade que se dedica ao cuidado das mulheres, é incumbência do médico compreender os diferentes ciclos de vida e suas particularidades, proporcionando, assim, uma medicina centrada na pessoa. Isso faz uma diferença substancial no atendimento médico.

 

“É determinante que o médico se mantenha atualizado tecnicamente no campo da medicina, ao mesmo tempo em que aprimoramos nossa capacidade de empatia e acolhimento em relação às pacientes. Isso implica em utilizar uma linguagem direta, evitando o uso de termos técnicos complexos que possam dificultar o entendimento, porém, mantendo sempre a base em critérios fundamentados em evidências científicas. É importante destacar que existe uma diferença significativa entre se aproximar da paciente através de diálogos vazios e sem embasamento científico e um envolvimento genuíno e baseado em estudos e pesquisas. Nossa prioridade deve ser fortalecer a autonomia da paciente, proporcionando informações de alta qualidade, sempre pautadas no respeito e na ética médica”, pontua a Dra. Maria Auxiliadora.

 

 

Em 2016, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a Recomendação CFM 1/2016 sobre o consentimento livre e esclarecido na prestação de cuidados médicos. Esta recomendação reforça aos médicos que abandonem a abordagem paternalista que caracterizou por muito tempo a relação com os pacientes, promovendo uma relação mais colaborativa e equitativa. Com isso, o CFM reconheceu e fortaleceu a autonomia dos pacientes, considerando-os titulares de direitos que devem estar plenamente informados sobre diagnósticos, prognósticos e opções de tratamento. O objetivo é proporcionar informações claras e objetivas, melhorando a segurança do atendimento médico e permitindo que o paciente possa consentir ou recusar o tratamento proposto.

 

A FEBRASGO desempenha um papel importante ao fornecer educação continuada aos ginecologistas e obstetras do Brasil, orientando-os sobre protocolos e Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) nas diversas áreas da saúde da mulher.

 

Segurança da Mãe e Bebê

 

A fim de assegurar a segurança tanto da mãe quanto do bebê, a Organização Mundial de Saúde (OMS) endossa o Protocolo “Intrapartum care for a positive childbirth experience”, que compreende orientações essenciais para a gestão do trabalho de parto e parto. Além disso, o Ministério da Saúde desenvolveu Diretrizes Nacionais destinadas a orientar a assistência no período de parto e pós-parto.

 

“Tudo se inicia desde o planejamento pré-concepção, incluindo o respeito aos direitos reprodutivos e aconselhamento sobre o momento mais adequado para a gestação. Em seguida, durante o pré-natal, é fundamental garantir um acompanhamento adequado, acesso a exames, cuidados de medicina preventiva e a adoção de boas práticas obstétricas. É crucial oferecer uma rede de suporte que inclua o encaminhamento de gestantes em situação de alto risco, bem como aquelas em risco habitual, garantindo cuidados abrangentes tanto para a mãe quanto para o recém-nascido. As complicações hemorrágicas continuam a representar ameaças à vida, e as equipes de saúde devem estar devidamente capacitadas para realizar intervenções quando necessário”, destaca a médica.

 

Além disso, o período pós-parto não deve ser negligenciado, pois não se trata apenas do cuidado com o recém-nascido. A mãe também deve estar no centro das atenções, recebendo cuidados físicos e emocionais de igual importância.

 

Segurança do paciente vítima abuso sexual e violência de gênero

 

A especialista da FEBRASGO ressalta que o médico ginecologista desempenha um papel fundamental ao oferecer uma escuta qualificada e coordenar o encaminhamento dentro de uma rede de apoio para garantir a segurança física e emocional das mulheres que enfrentam situações de violência. Para realizar essa tarefa, é imprescindível que o médico esteja familiarizado com os diversos tipos de violência contra a mulher.

 

A atenção às vítimas de violência não se limita apenas àquelas que apresentam evidências visíveis no corpo. Muitas vezes, as queixas podem se manifestar de forma indireta por meio de sintomas inespecíficos, como depressão, ansiedade, dor durante a relação sexual, dor pélvica crônica, infecções sexualmente transmissíveis e insônia. Portanto, o acompanhamento da mulher requer uma abordagem sensível e atenta a esses sinais, reconhecendo que a violência pode se manifestar de maneiras diversas e nem sempre evidentes.

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