Discurso de abertura – VII Congresso Amazonense de Ginecologia e Obstetrícia

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Discurso de abertura – VII Congresso Amazonense de Ginecologia e Obstetrícia

29 set. de 2017

Meus amigos sócios da ASSAGO, queridos alunos, senhoras e senhores,sejam bem-vindos!

O Congresso Amazonense de Ginecologia e Obstetrícia em sua sétima edição, traz algumas novidades:
Em primeiro lugar, junta os estudantes de medicina na I Jornada Amazonense das Ligas Acadêmicas de GO, a quem eu os cumprimento com o desejo de que se integrem aos colegas especialistas da ASSAGO e usufruam deste ambiente de convívio científico e amigável.

Em segundo lugar, a presença de tão ilustres professores que aceitaram nosso convite para vir a Manaus, neste intercâmbio de conhecimentos e experiências, abordando temas tão essenciais para o desenvolvimento das boas práticas da medicina, em especial a Ginecologia e Obstetrícia.

Em um país que aceita impassível o assassinato de mais 60 mil pessoas por ano, onde a corrupção grassa as diferentes esferas do poder, onde os presídios são dominados por traficantes de drogas, onde o crime organizado impera sem perspectiva de combate e a população fica a mercê de bandidos, falar de violência não seria novidade.

Mas eis que se vislumbra o parto – um fenômeno natural e fisiológico, para ser a novidade da violência.

Esquecem a violência imputada à mulher que engravida contra a vontade de seu parceiro, seus pais e sua família, e que ao se cientificar da gravidez recebe críticas e ameaças, às vezes até o abandono de quem jurava amor eterno.

Esquecem a violência da falta de pré-natal, quando existente acompanhado sem médicos, sem referencia e contra-referencia, com dificuldades para agendar uma consulta ou realizar um exame rotineiro.

Esquecem a violência da falta de leitos, que obriga uma parturiente perambular nas madrugadas atrás de uma maternidade que a receba em condições de atendê-la com segurança e dignidade.

Esquecem a violência de fechar UTI materna e não sobrar vagas nas UTIs neonatais. Esquecem a violência da falta de equipamentos, roupa, fios de sutura, materiais e medicamentos para realizar os procedimentos de forma humanizada, adequada e segura.

A violência da moda é um termo pejorativo – venezuelano (que ironia!), voltado para uma especialidade médica – a Obstetrícia, ciência secular que se entrelaça com a própria origem humana.

E o médico Ginecologista e Obstetra é o alvo, a bola da vez.

As evidências científicas criam novidades e atualmente abre-se discussão sobre alguns procedimentos: fórceps, episiotomia, uso de ocitocina e até as indicações de cesarianas. De forma estranha o debate especializado sai dos fóruns médicos e alguns oportunistas levantam bandeiras e criam leis.

O que eles não sabem, por ignorância, é que as evidencias científicas são mutáveis e o que hoje é verdadeiro, amanhã poderá ser falácia, assim como foi a sangria para curar doenças na idade média ou o tratamento de câncer aprovado por decreto presidencial no Brasil, em pleno século XXI.

Meus amigos, meus queridos alunos, senhoras e senhores, estejamos prontos para os desafios. Vamos combater a violência com a mensagem da paz.   

Façamos valer o que aprendemos na faculdade de medicina, na leitura dos livros, na pesquisa dos trabalhos científicos, nos congressos, nas boas práticas, no dia-a-dia em convívio com os pacientes.

Nesta quinta e sexta-feira abordaremos na programação Anticoncepção, Pré-Natal, Gravidez de Alto Risco, Câncer do colo do útero e mama, Miomatose, Sangramento Uterino anormal, Endometriose e Sexualidade. Debateremos a defesa e valorização profissional do Ginecologista e Obstetra e outros temas relevantes para a saúde da Mulher.

Um marco para o movimento LGBT em Manaus será a palestra sobre a relação médico-paciente e atenção à saúde integral, aberta ao público em geral, para integrar os médicos e a comunidade.
Hoje em Manaus faremos um Congresso dos amazonenses; dias 15 a 18 de novembro em Belém faremos um congresso de todos os Ginecologistas e Obstetras do Brasil. A Amazônia, pulmão do mundo, estará sempre aberta para respirar saúde, mas continuará na luta sem tréguas pela preservação da natureza e da vida.

A vida, esse encantamento, é o que faz a grandeza de nossa missão, porque entre o nascimento e a morte tem sempre uma pessoa especial que cuida, alivia e conforta. É o médico, um ser abençoado, um mensageiro da esperança, um instrumento da paz de Deus.

Muito obrigado!

Dr. Gilson José Corrêa ASSAGO – ASSOCIAÇÃO AMAZONENCE DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA

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