Escolha do tratamento para câncer do colo do útero deve levar em consideração a maternidade, alerta especialista

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Escolha do tratamento para câncer do colo do útero deve levar em consideração a maternidade, alerta especialista

26 fev. de 2025

Desejo de ter filhos ou o fato de já ter completado a família são fatores importantes na escolha das opções terapêuticas

Março é o mês de conscientização sobre o câncer do colo do útero, considerada a terceira neoplasia que mais atinge mulheres. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de 17 mil mulheres serão diagnosticadas com a doença em 2025 no Brasil. Para aquelas que enfrentam o tratamento, o acompanhamento médico contínuo é essencial, não apenas para monitorar a recuperação, mas também para prevenir possíveis recidivas.

O Dr. Caetano Cardial, especialista em ginecologia oncológica da Federação das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), explica que, após o diagnóstico do câncer do colo do útero, a mulher precisa passar por uma etapa chamada estadiamento. Isso significa realizar exames como tomografia, ressonância magnética ou PET-CT para entender melhor a extensão da doença e verificar se o câncer se espalhou para outras partes do corpo. Esses exames são fundamentais para definir o melhor tratamento para cada caso.

A idade da paciente, seu desejo de ter filhos ou o fato de já ter completado a família são fatores importantes na escolha das opções terapêuticas. O tratamento do câncer do colo do útero pode impactar a fertilidade, dependendo do tamanho do tumor e do tipo de intervenção necessária.

Em alguns casos, o tratamento cirúrgico pode incluir a retirada do útero, enquanto a radioterapia e a quimioterapia também podem comprometer a capacidade reprodutiva. No entanto, para tumores pequenos, existem técnicas seguras que permitem preservar o útero, como a conização, que remove apenas a parte central do colo do útero, ou a traquelectomia radical, que retira todo o colo uterino, mas mantém o útero intacto.
Já para tumores maiores, uma alternativa é a coleta de óvulos antes do início do tratamento, permitindo a fertilização in vitro e a possibilidade de gestação por meio da chamada “barriga solidária”. Essas opções devem ser discutidas com a equipe médica para garantir a melhor abordagem tanto para a saúde da paciente quanto para seu planejamento familiar.

Após a remoção do tumor ou uma cirurgia no útero, alguns cuidados são fundamentais para a recuperação adequada da paciente. Em geral, recomenda-se abstinência sexual por um período de 30 a 45 dias, permitindo a cicatrização completa dos tecidos. Atividades físicas intensas, como academia, devem ser evitadas por 30 a 60 dias, dependendo do tipo de procedimento realizado.

“A recuperação também varia conforme a técnica cirúrgica utilizada: em cirurgias minimamente invasivas, como a laparoscópica ou robótica, o tempo de recuperação tende a ser mais rápido, enquanto na cirurgia aberta (convencional), o período de repouso pode ser maior. Além disso, é essencial seguir todas as orientações médicas, comparecer às consultas de acompanhamento e relatar qualquer sintoma incomum para garantir uma recuperação segura e eficaz”, ressalta o médico.

Após o tratamento, a paciente será acompanhada de perto nos primeiros dois a três anos, com consultas a cada três ou quatro meses. Além do exame físico, podem ser solicitados exames como tomografia, ressonância magnética e Papanicolau, dependendo do quadro clínico e dos sintomas apresentados. “Esse acompanhamento é fundamental para garantir que a doença não retorne e para identificar qualquer alteração precocemente”, explica.
A prática regular de exercícios, atividades ao ar livre e uma alimentação saudável, com porções diárias de frutas, legumes, vegetais e proteínas, são fundamentais para o fortalecimento geral da paciente. “Esses hábitos contribuem para a recuperação física e emocional, melhorando a qualidade de vida e auxiliando na manutenção da saúde a longo prazo. O suporte emocional e psicológico é uma parte essencial do tratamento e deve ser oferecido logo após o diagnóstico”, conclui o especialista.

Efeitos colaterais da radioterapia e quimioterapia no câncer de colo do útero

Todo tipo de tratamento contra o câncer pode trazer efeitos colaterais, e a radioterapia e a quimioterapia não são exceções. É fundamental que a paciente siga as orientações médicas para minimizar esses impactos. Ambos os tratamentos podem afetar a função ovariana, levando a um quadro de menopausa precoce. Isso pode resultar em sintomas como diminuição da libido, perda de lubrificação vaginal e, no caso da quimioterapia, queda de cabelo, o que pode afetar significativamente a autoestima da mulher e agravar outros sintomas.

Para gerenciar esses efeitos colaterais de maneira eficaz, algumas estratégias podem ser adotadas:

● Uso de lubrificantes: para aliviar a secura vaginal e a dor durante a relação sexual, o uso de lubrificantes à base de água pode ser recomendado.
● Orientação para parceiros sexuais: a comunicação aberta com o parceiro é importante para ajudar a paciente a lidar com a diminuição da libido e outros desconfortos relacionados.
● Próteses capilares: para as mulheres afetadas pela queda de cabelo devido à quimioterapia, as próteses capilares (perucas) podem ser uma opção que ajuda a restaurar a autoestima e a confiança.
● Alimentação saudável: manter uma dieta balanceada pode ajudar na recuperação e no fortalecimento do sistema imunológico.
● Exercícios físicos: a prática de atividades físicas, sempre que liberada pelo médico, pode melhorar o bem-estar geral, ajudar no controle do estresse e aumentar a energia, além de reduzir sintomas como a fadiga.

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